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Paulo Pessoa

terça-feira, maio 21, 2013

 “Paulo Pessoa de Andrade escreve e cria como os leões de Henry Miiler: mastigando o indigerível chicle da linguagem. Um artista que alinhava a escritura com a contundência de quem soca o estômago do sentido das coisas : contunde, visceral.” Flávio Viegas Amoreira – escritor e crítico literário.

Paulo Pessoa é autor dos blogs CeleumaPintando Vênus e Galeria.

Dínamo Infernal

Mastiguei até ficar seca. Hordas empaçocadas indigeríveis nas horas. Fui pelo milímetro da beira à procura de um hiato. Salto noturno para arranjos desajeitados num copo de pensamento.

Gole de misericórdia. A meia-noite me segue como um cão.

A mentira insistente é toda a verdade. E a desilusão… é uma

grande dádiva! Fachos de púrpura, fachos de amarelo, fachos de gente. Véu ocre de certezas frágeis, insônia maya, dínamo infernal, ad continuum, ad infinituum. A madrugada se arreganha no esboço de um pigarro em rumo aberto de úlcera, o dia nasce de fórceps.

Meus olhos mal podem abrir…

Átimo

O logo após as pisadas irregulares, cambaleia o futuro. A semana passou num lapso, num átimo alcoólico. Pude ouvir gargalhadas vindas do tablado rotundo dos bêcos. Eco de imagens embaralhadas, idéias colipsadas… Um carrossel de personagens na roda oculta das circunstâncias… e eu aqui, na mesa de canto do bar… daqui tudo se vê, até o uivo do vento dobrar a esquina. A inconformidade concreta precipita-se em tudo… estão visíveis por sobre os ombros como caspas em pretas camisas de algodão sob luz negra. Figuras deslocadas de seu original podem-se entrever no silício, no ópio, no fundo da garrafa. Caleidoscópio de artimanhas neurais. Arte experimental. Daqui, da mesa de canto, mudo a sintaxe a esmo… a arte é mental… Tangram de holografias moldadas em arranjos dramáticos. Virtudes e vícios descoloridos no suor das paredes… um panteão de afrescos mundanos. Eu mesmo, um semi-deus, crio um buraco no tempo, uma matéria escura, uma nuvem, uma dúvida… Mastigo um bolinho de queijo ensopado de tabasco. Viro do avesso a cachaça… o mundo aparece em miniatura no fundo do copo…

Existe sobriedade ?

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