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Limpo

terça-feira, dezembro 10, 2013

Conhecido no graffiti como Limpo, Fábio Rocha é baiano de Salvador, tem 33 anos e há 5 mora na Suécia. Ilustrador e grafiteiro, ele se inspira principalmente na realidade difícil que ainda encontra no nordeste: trabalho infantil, fome e o preconceito sofrido pelo povo nordestino no resto país…

RM: Hoje você trabalha como ilustrador – entre outras coisas, de livros infantis. Existe algum intercâmbio aí entre o graffiti e a ilustração? O que vai de um para o outro?
O lance da ilustração aconteceu através do graffiti. Foi a partir daí que surgiram os convites. Costumo falar que são ilustrações grafitadas só que não em paredes.

RM: Você também dá aulas de graffiti. Qual o público que chega nas aulas?
Tenho muitos trabalhos paralelos à minha arte.
Um deles são as oficinas de graffiti. O público não tem idade específica.  As pessoas chegam querendo ter o contato com o spray, aprender a técnica. Chegam através do contato com o meu trabalho no graffiti.
Agora estou recebendo convites de empresas para conduzir oficinas de inspiração artística.

RM: Li uma matéria onde você menciona a falta de valorização do graffiti no Brasil, economicamente… Uma lata de spray hoje custa em torno de R$16,00. Um trabalho grande sai caro e pode não ter retorno. Qual é a realidade do graffiti em outros países que você conhece?
Alguns grafiteiros até conseguem fazer muitos trabalhos comerciais mas colocam pouco da sua arte nesses trabalhos. Aparece muita gente pedindo pra pintar coisas específicas: peixes, meninos, aviões e tal.
Fica difícil quando você já vem amadurecendo seu trabalho…
Hoje, vivo do meu trabalho e acho que não conseguiria fazer isso no Brasil.

RM: O que é o Turbilhão Urbano?
Turbilhão Urbano é um grupo formado por Peace, Sisma, Madureira e eu. São grafiteiros que começaram a pintar na cidade de Salvador e que influenciaram todos os grafiteiros que hoje estão pintando por lá. Hoje, o grupo atua em produção cultural, design, turismo étnico, graffiti…
É uma turbina da rua.

RM: Muitos de seus trabalhos retratam a realidade nordestina. Ainda hoje é assim? Como você se mantém em contato com o Brasil, a Bahia, estando longe?
O trabalho continua com as mesmas características. Estou vindo ao Brasil 2 vezes por ano.

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RM: Quais são suas fontes de inspiração?
As crianças magras, descalças nas ruas, tristes e sofridas.
Meninas ainda crianças que têm que trabalhar e ter responsabilidades de adulto.
As casas de madeira, o preconceito que vem sofrendo o povo nordestino.
A vida é a minha inspiração.

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