Archive for the ‘quadrinhos’ Category

Mentirinhas do Coala

sexta-feira, março 14, 2014

Fábio é formado em publicidade, curte livros de ficção e aventura e já foi do Corpo de Bombeiros de São Paulo.
É autor do site Mentirinhas, onde publica tiras desde 2010.

RM: Quando você começou a se interessar por quadrinhos?
Como a maioria das crianças meu primeiro contato com os quadrinhos foi lendo Turma da Mônica, mas foi mais ou menos aos 13 anos quando conheci autores como Laerte e Angeli que pensei: também quero fazer isso.

RM: Quais eram seus quadrinhos favoritos?
Quando criança, Turma da Mônica. Depois, na adolescência, Chiclete com Banana, Circo, Geraldão, alguma coisa de super-heróis…
RM: Como foi que surgiu o site? Quando você começou a fazer tirinhas?
Publiquei as primeiras tirinhas com 15 anos, num jornal da minha cidade. O site veio muitos anos depois, em 2010. Foi uma maneira que encontrei de divulgar algumas tirinhas que havia produzido para outro jornal da região e ser um incentivo pra continuar produzindo.

RM: Como você vê essa realidade de hoje em que, com a internet, as pessoas têm mais acesso não só a consumir vários tipos de expressão artística como também produzir?
É muito bom, tanto pra quem “consome” como pra quem produz. A interatividade da internet te permite encontrar exatamente o que te agrada (em qualquer lugar do mundo), onde você estiver e na hora que você quiser. Fora a maior facilidade de interação entre público e artista.

RM: Qual é o perfil do leitor do site?
Tenho alguns “leitores” bem jovens, que gostam do site pelos desenhos, digamos, fofinhos. Mas a maioria está na faixa dos vinte e tantos anos e tem uma visão mais crítica das coisas.

RM: Que visão é essa? Qual é essa crítica?
Tento colocar algumas mensagens, por vezes bem discretas, nas tirinhas. Coisas relacionadas aos “novos” valores sociais, política, conformismo, intolerância…

RM: Hoje, os quadrinhos se prestam a assuntos bem mais variados do que somente a comédia. Vários artistas têm uma abordagem mais sensível, ou mais crítica, como o próprio Liniers que tem quadrinhos melancólicos e Moon & Bá que frequentemente colocam algumas questões nas tiras.
Suas tiras também colocam algumas questões para pensarmos.
O Mentirinhas foi mudando com o tempo e ficando cada vez mais com a minha cara. Passei a expor mais alguns pensamentos e experiências. Muita coisa vem da época que fui bombeiro.

RM: Tem alguma história interessante pra contar pra gente?
Vez ou outra faço histórias baseadas em acontecimentos reais. Tenho a ideia de fazer uma série contando minha passagem pelo Bombeiro, já fiz a primeira –  “o anjo da morte”. Aos poucos soltarei outras.

RM: Quais são seus outros interesses?
Fora desenhar de tudo, gosto muito de animais e natureza. Quando dá pra tirar uns diazinhos de férias, gosto de ecoturismo, mergulhar e coisas do tipo.

RM: Quais quadrinhos ou autores de quadrinhos você considera indispensáveis hoje?
Da atualidade: Liniers, os irmãos Moon e Bá e o Vitor Cafaggi.
De qualquer época: Will Eisner, Bill Watterson e Fernando Gonsales.

Ricardo Tokumoto

quarta-feira, setembro 25, 2013

Ricardo sempre gostou de desenhar. Aliás, como ele mesmo diz, toda criança gosta – a diferença é que ele não parou.
Ele trabalhou em gráfica, foi selecionado para o salão de humor de Limeira, publicou um fanzine… tudo isso antes de finalmente começar a tão sonhada faculdade de Belas Artes.
Hoje, Ricardo é autor do blog “RyotIRAS”.

RM: Li que você gostava de desenhar quando criança. E que também se interessava por várias coisas diferentes: chegou a estudar música, pintura, fez oficinas de histórias em quadrinhos, desenho animado, elaboração de fanzines, escultura, teoria da arte…
Acha que quando alguém se interessa por alguma manifestação artística é natural ir abrindo esse leque?
Sim, e acho bastante enriquecedor quando não nos fechamos apenas a um dos caminhos que a arte pode prover. Sem falar que tudo isso está muito mais ligado do que imaginamos. É realmente muito comum escritores, pintores, músicos transitarem entre outras formas de expressão por mais que dêem prioridade a apenas uma delas. E não apenas no ramo das artes e ciências humanas, acho importante nos abrirmos e buscarmos os mais variados conhecimentos que nos interessam, independente da natureza. Acredito que quanto mais variedade nessa mescla de aprendizados, maior será a autenticidade e originalidade do seu produto final.

RM: Você trabalhou numa gráfica e começou a imprimir seus primeiros fanzines. Você citou que tinha uma ideologia né? Uma fase meio “revoltada”… Com o quê?
Na verdade essa revolta não acabou, só mudei as minhas atitudes pra lutar por minhas idéias. A revolta é contra todo esse esquema em que vivemos hoje, onde se prioriza o consumo acima de tudo e milhares de pessoas sofrem em prol de pouquíssimas. Essa desigualdade em que vivemos, não apenas financeira, mas de hierarquização de muitos aspectos que não fazem sentido algum. Me incomoda muito a questão do homem magro, alto, branco, heterossexual, cristão e rico sendo colocado como um ser superior a todos os outros. A minha luta, e que não é só minha mas de muita gente, é de se acabar com esse tipo de pensamento individualista que nos coloca contra nós mesmos diariamente. A ponto de famílias, irmãos, casais, amigos se destruirem por conta de um sistema totalmente ilusório. No fim das contas é a velha questão de nos tratarmos mais como iguais e nos ajudarmos, sem essa película distorcida e confusa de rótulos e julgamentos nos cobrindo. E que todos tenham direito ao básico, como eu tive.

RM: Quando você começou a faculdade de Belas Artes já tinha uma bagagem bem grande: tinha lançado um fanzine, foi selecionado no Salão de Humor de Limeira. Como foi essa fase?
A Faculdade foi um ótimo momento de amadurecimento. Por mais que já tivesse com uma bagagem tudo ainda soava bastante amador. Não que isso seja ruim, até hoje meus trabalhos mais autorais ainda possuem essa atmosfera, mas para que eu pudesse trabalhar e me sustentar como ilustrador, foi essencial esse salto para um maior profissionalismo. E também foi ótimo para expandir ainda mais meus horizontes, conhecer novas pessoas, entrar em contato com essa multiplicidade artística. Perder o medo de ousar e ver que tudo é bem menos complicado do que a gente imagina.

RM: Como é para você essa troca com os leitores que a internet propicia?
É o que mais me motiva em manter essa constante de produção. Se não houvesse esse retorno dos leitores que a internet possibilita tudo seria bem mais sem graça com certeza. Acho ótimo que novas ferramentas vêm surgindo e aumentando ainda mais essa interatividade, inclusive entre os próprios artistas. Assim como eu venho me aproximando cada vez mais dos meus leitores, eu também venho me aproximando cada vez mais dos autores que eu gosto tanto. Isso é sensacional.


RM: Qual é o perfil do leitor do site?
Acaba por ser um perfil muito semelhante ao meu, com uma faixa de idade entre os 20 e 30 anos, que geralmente tem uma forte ligação com video-games, internet, literatura, cinema, música, desenhos animados, os próprios quadrinhos e cultura pop no geral. Uma particularidade do humor que eu gosto de usar é um humor mais nonsense, ou seja, às vezes, eu prefiro atropelar a lógica em prol do riso e nem todo mundo está acostumado com esse estilo… o que me leva a atrair pessoas que já tem uma certa familiaridade com isso. E às vezes eu gosto de experimentar o contrário, tiras mais críticas e reflexivas, com um humor mais sutil, menos óbvio ou até mesmo sem essa necessidade de ser engraçado. Isso acaba por fechar também a gama de público, mas tento não fazer isso sempre, pra não restringir demais. Eu gostaria na verdade de ser o mais universal possível, mas sem subestimar a potencialidade do intelecto de cada um.

RM: Você também fez especialização em cinema. Quais são seus outros interesses?
O cinema é algo que eu gosto muito, mas ao me especializar aprendi que é uma arte colaborativa, que dificilmente dá pra se fazer sozinho. E isso acaba tornando a produção de um filme, por mais curto ou simples que ele seja, em algo que se precisa de um planejamento, dedicação e atenção maior. Então os projetos de cinema ficaram meio de lado por enquanto. Bom, eu gosto muito de música, toco alguns instrumentos e sempre tento estar em alguma atividade que envolva essa área, ou em último caso assistir apresentações musicais. Me interesso também por literatura, sempre estou lendo vários livros de uma vez, apesar de ser num ritmo mais lento do que eu gostaria. Artes Marciais, especificamente Kung Fu, que eu sempre admirei e agora estou também praticando. Sempre adorei vídeo-games mas tenho jogado bem pouco ultimamente. Procuro ficar sempre por dentro dos movimentos populares com um cunho social e tento sempre dar algum apoio. E por fim as artes plásticas no geral, gosto de pintar, desenhar, tenho idéias pra esculturas, instalações…
Infelizmente o tempo fica curto pra tanta coisa.

RM: Quais quadrinhos ou autores de quadrinhos você considera indispensáveis hoje?
O Laerte pra mim é um dos principais. Sempre cito também o Fábio Zimbres e o Lourenço Mutarelli. Dos quadrinistas estrangeiros não tem como fugir de nomes como Alan Moore, Katsuhiro Otomo, Osamu Tezuka, Chris Ware, Geof Darrow, Moebius, Daniel Clowes, Neil Gaiman, Art Spiegelman, Will Eisner, Scott Mccloud, Charles Schulz, Bill Watterson… E tem muita gente nova e boa surgindo tanto lá fora como aqui no Brasil, por exemplo Rafael Sica, os gêmeos Bá e Moon, Rafael Grampá, Rafael Coutinho, Gustavo Duarte, Eduardo Medeiros, o pessoal todo das (In)Dependentes, meus amigos do Pandemônio: Eduardo Damasceno, Daniel Pinheiro, Daniel Werneck, Felipe Garrocho, Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi, Combrim, Eiko. E de fora tem o Craig Thompson, Cyril Pedrosa, Marjane Satrapi, Guy Delisle, Olivier Martin, David B., Christopher Blain, Taiyo Matsumoto, Dash Shaw, Nicholas Gurewitch, Rui Tenreiro, Bryan Lee O’Malley… Nossa, é muita gente! E olha que eu na certa não citei nem um décimo de nomes bons que temos por aí! Com certeza esqueci muita gente e errei algumas grafias. De qualquer modo, coisa boa pra se ler é o que não falta!

Will Leite

terça-feira, novembro 6, 2012

Will tem 25 anos e é de Porecatu, no Paraná. Vive em Apucarana, gosta de miojo, futebol e – claro – tirinhas. Designer por profissão, Will Leite transformou o hobbie em site, onde os visitantes participam sugerindo idéias para as tiras.

RM: Quando você começou a se interessar por quadrinhos?
Comecei tarde. Só aos 20 anos, mais ou menos (hoje tenho 25). Comecei a fazer tiras depois que descobri alguns blogs de quadrinhos para internet.

RM: Lia quadrinhos quando era criança? Quais eram seus favoritos?
Eu confesso que não era um bom leitor quando criança. Arrependo-me hoje por isso. No entanto era muito observador e curioso. Folheava todos os livros e revistas da minha casa (de enciclopédias a revistas de bordado), procurando por ilustrações. E apreciava-as por horas. Tentava redesenhar algumas das ilustrações.
Minha família nunca teve o costume de comprar revistas de quadrinhos, gibis para mim. Mas lembro que lia a Turma da Mônica sempre quando criança. Também lembro de ler tiras da Mafalda, Calvin e Haroldo, Asterix e Obelix nos livros da escola.

RM: Como foi que surgiu o site? Quando você começou a fazer tirinhas?
Surgiu despretensiosamente. Eu li algumas tiras na internet. Cyanide & Happiness. Tiras naquele estilo palito. Um humor simples, direto. Me chamou atenção e pensei “Vou fazer algumas tiras assim também”. Fiz umas cinco, e publiquei no Orkut. A família e amigos gostaram, aí continuei desenhando. Quando já tinha umas 50, criei o blog. Ainda naquele estilo simplista, palito. Mas comecei a receber bastante crítica, por causa do estilo. Foi quando resolvi trabalhar em cima de um estilo que fosse meu mesmo. E é o que uso até hoje, e que vem dando certo.

RM: Como você vê essa realidade de hoje em que, com a internet, as pessoas têm mais acesso não só a consumir vários tipos de expressão artística como também produzir?
Tanto para quem consome, como para quem produz tem seu lado bom e ruim. O bom para quem consome é a rapidez na informação e a interatividade. O ruim, é que a internet acostuma mal essas pessoas, e elas não buscam um conteúdo mais confiável, digamos (livro, revista, bate-papo cara a cara).
Para quem produz, o lado bom é que a internet te dá a possibilidade de ser uma fonte de conteúdo, de informação. O lado ruim é que existe um mar de conteúdo, vindo de todos os lados, que engolem o seu, e te faz só mais um, perdido ali. Pra se destacar é necessário que você faça um conteúdo bom e constante, para aparecer e agradar sempre.

RM: Qual é o perfil do leitor do site?
Na verdade, todo tipo de gente, de tudo quanto é lugar do Brasil. Mas numericamente falando, 65% homens e 35% mulheres. 80% têm menos de 24 anos… uma galera que está saindo do ensino médio e entrando no mundo acadêmico.

RM: Quais são seus outros interesses?
Gosto muito de futebol (de assistir, não de jogar). Eu trabalho como designer gráfico também. Aliás, é esse o meu sustento. O blog e os quadrinhos são como um hobbie. Mas a cada dia me interesso mais pelos quadrinhos.

RM: Quais quadrinhos ou autores de quadrinhos você considera
indispensáveis hoje?
Eu admiro muita gente. Nacionalmente tem uma série de artistas que me influenciou bastante.
Gosto muito dos ilustradores ‘das antigas’, da época do Pasquim: Ziraldo, Jaguar, Millôr, Henfil, Glauco. Mas tem gente que se destaca ainda – e principalmente hoje – que são mestres como Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai, Orlandeli, Allan Sieber. E tem também uma turma nova, que está aparecendo principalmente na internet que admiro muito, como Ricardo Tukomoto, Carlos Ruas, Fábio Coala, André Dahmer, etc.
Mas os que são para mim, indispensáveis, que eu leio toda a semana e sou fã: Mikael Wulff e Anders Morgenthaler (Wulffmorgenthaler), Maitena e Adão Iturrusgarai.

Clara Gomes

domingo, dezembro 11, 2011

Clara Gomes é de Petrópolis, desenha desde criança e é a criadora das tirinhas Bichinhos de Jardim (iniciada no jornal de Petrópolis e que depois ganhou site próprio).
Participou recentemente da MSP+50 – edição comemorativa da Maurício de Sousa Produções com a Turma da Mônica sendo retratada por 50 artistas brasileiros.

RM: Pessoas que gostam de desenhar geralmente acabam gostando de quadrinhos. No seu caso, o que veio primeiro? A paixão pelos quadrinhos ou a paixão pelos desenhos? Havia algum desenhista na família?
Minha paixão inicial foi o desenho, começou antes de aprender a ler. Era uma tentativa de me apropriar do mundo, de reinventá-lo pelas minhas mãos, capturá-lo. Meu pai desenha um pouco, tive um primo que também arriscava desenhos, mas nenhum profissional. Esse fascínio parece que nasceu ‘embutido’ em mim.

RM: Quais os quadrinhos que você lia quando criança? Qual era o seu favorito?
Eu lia basicamente Mauricio de Sousa. Adorava a Mônica. Mas sempre gostei de ler muito, livros de literatura infantil, revistas, almanaques…

RM: Durante a sua graduação na UFRJ você vivia em Petrópolis? Como era morar na serra e estudar no Fundão?
Ih, era uma encrenca de ônibus pra lá e pra cá, horas e horas perdidas… Mas como eu estava bem jovem e ainda não tinha emprego, até que nem foi tão sofrido. Acho que quem sofreu mais foram meus pais, trabalhando pra me manter nesse período.

RM: Você saberia precisar o “nascimento” dos Bichinhos de Jardim como os conhecemos hoje? O momento em que a ficha caiu e você decidiu: “É essa linha que vou seguir!”
Não foi nada planejado. Eu fazia tiras do finado “Jujubinha” pro jornal de Petrópolis, mas já tinha enjoado. Aí cismei (sorte ter essa liberdade lá) e tracei Caramelo e Brigitte, de qualquer maneira, pra iniciar o ano seguinte (2000, se não me engano), com uma série nova. Como não tinha o blog ainda e os leitores (se é que existiam) não faziam contato comigo, ninguém reclamou. Aí continuei! Com o passar do tempo é que eles foram ganhando a forma e o jeito que conhecemos.

RM: Como surgiu a oportunidade de publicar os Bichinhos na Tribuna de Petrópolis?
Foi através de um concurso de desenho promovido pelo jornal para os leitores – sim, eu era leitora do suplemento infantil na época!

RM: O site dos Bichinhos de Jardim estreou em 2006. Como foi isso?
Surgiu de uma necessidade de portfolio, na verdade. Eu não imaginava que a interação fosse crescer e influenciar tanto o trabalho, mas já observava o fenômeno que era o site dos Malvados, do André Dahmer, na época.

RM: Qual é o perfil do leitor dos Bichinhos de Jardim?
Os Bichinhos de Jardim são lidos por adolescentes e adultos, basicamente. São pessoas sensíveis, curiosas, algo diferentes da grande massa que usa a internet para extravasar raiva ou pra rir de escatologias. Eles procuram um humor suave, com pitadas de ironia, mas sem violência.

RM: Conte para nós como aconteceu o convite para a MSP+50.
Foi a partir de um contato do queridíssimo Sidney Gusman, figura importantíssima entre os estudiosos de quadrinhos no Brasil e braço direito da MSP produções. Fiquei muito feliz, foi um sonho poder retratar os personagens que tanto me divertiram na infância. Mauricio é genial!

RM: No dia a dia, seu trabalho é o design. Mas o que você faz especificamente? Design de livros, de sites, impressos?
Trabalho atualmente desenvolvendo ilustrações e tratamento de imagens para livros didáticos de educação à distância.

RM: Com o sucesso dos Bichinhos, mudou alguma coisa na sua relação com seu trabalho?
Que bom que você considera um sucesso! Eu sinto um pouco mais de responsabilidade, já não posso tomar qualquer decisão com relação aos personagens e ao site, respeito muito o público e penso bastante no que escrevo, em como isso pode afetar a vida das pessoas.

RM: Como você avalia hoje o mercado de trabalho de Design?
Estou um pouco afastada desse meio, mas acho que ainda há muitos curiosos que tiram o trabalho de profissionais competentes. A culpa disso não é de um ou outro “sobrinho-que-mexe-no-photoshop-e-faz-logotipos”, mas sim do sistema educacional que não contempla as imagens. As pessoas são analfabetas visuais, portanto não sabem o valor do trabalho do designer. Como não entendem, preferem contratar o carinha mais barato a pagar por alguém que realmente sabe o que está fazendo. O resultado é essa poluição visual, excessos de toda ordem, mau gosto, pobreza…

RM: Pode-se dizer que o trabalho de cartunista ainda é predominantemente masculino? Se sim, a que acha que se deve isso?
É uma pergunta recorrente. Difícil resposta. Acho que o humor ainda é muito masculino, as mulheres riem menos de si mesmas. A quantidade de mulheres comediantes também é pequena, exige uma certa coragem pra dar a cara a tapa, sem cair em estereótipos (mulher burra, feia, neurótica)…

RM: Além dos desenhos e dos quadrinhos, quais são seus interesses?
Amo música e teatro. Sempre que posso, componho, escrevo peças… Espero ter muitas vidas ainda pra poder me dedicar a todas as artes.

RM: Quais quadrinhos ou autores de quadrinhos você considera indispensáveis hoje?
Não sou uma ávida leitora de quadrinhos, na verdade. Mas gosto muito de Bill Waterson, dos argentinos Quino, Liniers e Tute e dos brasileiros André Dahmer, Arnaldo Branco, Estevão Ribeiro, Pablo Carranza, Raphael Salimena… Tem mais gente, gente muito boa por aí.

RM: Gosta de mangá?
Já gostei da estética quando era criança, mas conheço muito pouco.Tenho um amigo, o Sami Souza, que me apresenta muitas coisas bacanas da cultura japonesa de quadrinhos. Aprendi com ele que precisamos ter a mente aberta para tudo.

RM: Para fechar: a Maria Joana é quase onipresente nas tirinhas. Ela é a sua favorita?
Ela é meio coringa, tipo uma válvula de escape, acho.