Archive for the ‘pintura’ Category

Nuno de Matos

quarta-feira, setembro 26, 2012

Nuno de Matos, também conhecido como Matox, é artista plástico. Nasceu em Portugal e hoje reside na França. Seu trabalho, considerado expressionista, foi influenciado pelos graffitis de rua – do Bairro Alto de Lisboa e do Barri Gotic de Barcelona.
Nuno se interessa pelas cores, movimento, texturas e caligrafia. Explora a fotografia e faz experimentações como lightdesign e lightgraffiti. Organiza todos os anos “la croisée d’art” em Eus (catalunha), exposição de arte contemporânea.

RM: Você transita entre vários países. Vê diferenças nas expressões artísticas de cada lugar?
Sim, acho que cada lugar tem sua magia própria. No processo atual de globalização, os artistas viajam muito, para conhecer, partilhar, mas também para investir em novos espaços.
A arte nas galerias pode ser a mesma em São Paulo, Nova York ou Paris, mas a arte urbana, deve estar imersa nessas cidades de forma muito diferente. Por isso, cada artista gosta de estar imerso numa nova cidade, para criar um novo impulso em sua criação…

RM: Acha que o contato com esses vários contextos influencia seu trabalho?
Sim, cada passo na vida, cada encontro influencia a vida de nós todos, em particular para os artistas, que talvez sejam mais atentos às expressões plásticas.

RM: Como é o trabalho com lightpainting? Como é lidar com algo tão efêmero?
Há o lightpainting efêmero, só visualizável com uma máquina reflex, mas também há o lightpainting que é, propriamente dito, pintar com a luz. Isso abrange projeções no espaço urbano… É efêmero também, mas o público pode ver ao vivo o que está projetado. Além disso, com as projeções é possível interagir com os espaços sem “vandalismo” e ao mesmo tempo sem perder o aspecto subversivo.

RM: Você utiliza várias técnicas: pintura, graffiti, fotografia… Como foi acontecendo essa mistura?
Gosto de brincar com tudo! Agora com as novas tecnologias há espaço para utilização de novas mídias na criação artística.

RM: Que artistas você admira?
Há muitos! Os clássicos: Picasso, Miró, Georges Mathieu… Atualmente há muitos artistas fantásticos. No Brasil em particular, gosto muito do trabalho de os gêmeos (que trabalham muito também aqui na Europa), de Zezão e suas intervenções abstratas, mas há muitos artistas que ainda nao conheço, por isso espero voltar ao Brasil em breve…

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Clau Cseri

terça-feira, setembro 27, 2011

Claudia Cseri é artista plástica e restauradora. Além disso, cria semi-jóias e conhece bem a arte da tapeçaria. Nascida em São Paulo e filha de europeus (o pai é austríaco e a mãe italiana), aprendeu ainda jovem e em companhia das irmãs a arte que os pais dominam.
Curiosa, Clau fez cursos de fabricação de tintas e de papel artesanal. Com as dificuldades da vida de artista, está sempre correndo atrás de novas possibilidades.

RM: Seus pais também são artistas. Foi essa convivência que despertou seu interesse?
Meus pais são artistas no ramo da tapeçaria artística: meu pai – austríaco de Viena e minha mãe – de Udine – se conheceram em São Paulo. Quando jovem ele aprendeu tapeçaria artística em Viena e quando se casou com minha mãe ensinou a ela todas as técnicas . Mudaram-se para a fazenda onde vivemos agora e montaram o atelier 7 pastores e começou a produção das tapeçarias por encomenda e venda em exposições. Aprendi junto com minhas irmãs, e como sempre tive paixão pela arte foi fácil.

RM: Você tem um grande interesse também pela fabricação dos materiais (fez cursos de fabricação de tintas e de fabricação artesanal de papel). Como acha que isso complementa a sua experiência como artista?
Eu sempre fui muito curiosa e queria aprender como se fabricavam as tintas e outros materiais, e por coincidência surgiu um curso de fabricação de tintas com pigmentos minerais na Galeria Documenta em São Paulo e também o de fabricação de papel artesanal na mesma galeria – é claro que corri pra aproveitar essas chances. Adorei. Foram maravilhosos os dois cursos, são as técnicas antigas que os artistas usavam quando não existiam as tintas industriais, mas bem mais saudáveis. Me fizeram crescer muito como artista, e serviram muito também na restauração.

RM: Você também trabalha com restauração, tapeçaria artística, entre outras coisas… É muito difícil viver da própria arte?
Acabei entrando para a restauração por incentivo de minha tia e adorei pois envolve muita pesquisa, cada obra a ser restaurada é única e a gente acaba conhecendo toda a história de sua origem, muita técnica, bom olho para perceber todos os detalhes e paixão pela arte.  A tapeçaria acho que é continuação da pintura  em outra técnica. Atualmente está  muito dificil viver de arte, por isso temos que sempre fazer  outros cursos.  Atualmente estou fazendo curso de computação gráfica – animação – para poder ampliar chances de melhores trabalhos.

RM: Para você, qual é o papel da arte?
Acho que a arte faz parte do dia a dia da humanidade mesmo que as pessoas não percebam, ela nos dá o equilíbrio para a vida se tornar mais agradável – ela abrange tudo: principalmente a natureza. Ela é um meio de comunicação que se expressa através da beleza, formas, cores, tanto na pintura, na tapeçaria, nas semi-jóias, no cinema, na fotografia – em todas as expressões. O mundo sem a arte não daria certo, já está difícil com ela,  sem ela o mundo não existiria – ela faz parte do meio ambiente de nosso lindo planeta, e universo.

RM: Quais são as suas influências?
As maiores influências foram do Picasso e Cezanne. Sempre gostei muito do tabalhos de ambos.

RM: Quais os artistas da atualidade você destacaria?
Dos artistas atuais, acho o Romero Brito um bom artista, não por estar na moda mas por ele ser autêntico e simples. Frann, Clarice Sarraf, Walter Handro e outros ótimos artistas.

Walter Handro

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Walter Handro é artista plástico. Começou a se interessar por pintura estimulado pelo pai que o levava a galerias e salões de arte. Sua formação mescla iniciativas autodidatas e cursos com outros artistas.

Walter é Biólogo, foi cientista e professor de Botânica na USP e, no início de sua carreira científica, aproveitou seu talento para o desenho em seus trabalhos em anatomia e morfologia vegetal.

RM: Como surgiu seu interesse pelas artes plásticas?
Quando eu era garoto, no fim da década de 40, inicio dos anos 50 (nossa!!!), meu pai levava-me ao Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia, em São Paulo. Já na segunda metade da década de 50, eu trabalhava no centro de São Paulo, e frequentava galerias nos arredores da Rua Barão de Itapetininga, o Museu de Arte Moderna, na rua 7 de Abril. Deve ter começado por aí. Ganhei até um estojo com material de pintura (aquarela) de meu pai.

RM: Quando você começou a pintar?
Fiz minhas primeiras tentativas entre os 16-17 anos, com aquarela. Depois, abandonei totalmente a pintura. Nos primeiros anos de minha carreira científica (anos 60), quando trabalhei com anatomia e morfologia vegetal, usava muito minha habilidade em desenhar. Posteriormente dediquei-me à Fisiologia e Biotecnologia de Plantas, como cientista e professor na USP, abandonando totalmente desenho e pintura. Mas fotografei muito. Trabalho mais sério com pintura comecei mesmo no fim dos anos 90, e depois que me aposentei (2001). Nessa época eu já colecionava pinturas e gravuras, e resolvi experimentar pintar também.

RM: Você é Biólogo. Como foi sua formação na pintura? Foi um processo autodidata?
Comecei fazendo algumas tentativas pintando a óleo (1997), e logo arranjei uma professora (Neusa Nogueira), que tinha sido aluna de Durval Pereira e de Castellane. Com ela trabalhei um ano e comecei a participar de exposições e receber alguns prêmios. Em 2001, fiz um curso de aquarela em Paris com Tim Smith, ilustrador da UNICEF e de gravadoras, e em 2002 trabalhei com Djalma Urban. Desses artistas recebi uma formação técnica, muitas dicas importantes, absorvi alguma coisa de seus estilos, mas logo procurei desenvolver uma linguagem própria.

RM: Quais são suas influências?
Tenho duas vertentes no meu trabalho. Uma, mais tradicional, onde expresso minha paixão pela paisagem, especialmente as marinhas. Procuro trabalhar num estilo solto, de pinceladas rápidas e nervosas, “alla prima”, com muita tinta. Com aquarela também evito detalhes, como delinear portas ou janelas, apenas sugiro. Detestaria que dissessem que uma paisagem minha “parece uma foto”, ou que minhas flores “parecem naturais”. Posso dizer que sofri algumas influências de artistas com quem convivi ou de quem tenho quadros, como Durval Pereira, Djalma Urban, Carnelosso. Mas artistas que muito me inspiram, e com quem muito aprendi, estudando suas técnicas e lições, são os ingleses Constable (1776-1837 ), Edward Seago ( 1910-1974) e os americanos Emile Gruppé (1896-1978) e Kevin Macpherson (1956). Numa abordagem mais contemporânea, trabalho com motivos urbanos como casas, favelas, palafitas etc. Aqui é pura pesquisa, de estilos, técnicas e materiais. Gosto de contrastes de textura, uso fundos lisos, barra de óleo, pastel, aquarela etc. Para mim cada trabalho é uma procura e um achado.

RM: Quais artistas brasileiros você destacaria na atualidade?
Vou falar só de pintores, especialmente paisagistas. Para dizer a verdade, entre os pintores paisagistas brasileiros, os melhores e mais apreciados por mim, já partiram: Pancetti, Mario Zanini, Bonadei, Arcângelo Ianelli (na fase figurativa), Carnelosso, Inimá de Paula, entre outros. Djalma Urban e Durval Pereira, também falecidos, deixaram muitas obras de grande valor artístico, que merecem estar em qualquer coleção. Entre os poucos paisagistas atuais de qualidade, alguns são extremamente conservadores, quase acadêmicos. Para não deixar de citar alguns, pois fogem à regra, e dentro da paisagem, são ou foram bastante originais, lembro Sérgio Telles e Antonio Carelli. Também aprecio a simplicidade e as cores do Fang. Mas não gostaria de me estender sobre esta análise, para evitar injustiças, já que as omissões são muitas. Considero-me um artista iniciante, curioso e tardio. Estou aprendendo…

Para conferir outras obras do artista visite:
Hall Brasil

Arte Atual