Archive for the ‘grafite’ Category

Cazé

terça-feira, agosto 12, 2014

Fernando Sawaya, o Cazé, iniciou a carreira artística através do graffiti. Estudou Design Gráfico e Animação. Já atuou como Web Designer, Motion-Designer e tem como foco a animação 2D. Barbudinho, seu principal personagem, espalha bom humor e reflexão pelas ruas do Rio.

 

RM: Como foi seu primeiro contato com o graffiti?
Tudo começou com a pichação em 2003/04. Tinha minha galera onde eu morava em Copacana e alguns amigos já eram pichadores. Despertei interesse pelo assunto e comecei a riscar uns nomes pelo meu bairro, foi uma trajetória bem curta – nesse meio tempo mudei de colégio e fui estudar no Méier, zona norte do Rio de Janeiro, onde tudo começou: vi os primeiros painéis de graffiti da Nação crew, tive uma aula de artes no colégio falando sobre graffiti e um professor que passou a me incentivar bastante. Conheci outros grafiteiros no colégio e montamos a nossa “crew”, pude acompanhar a evolução dos caras da Nação, Flesh Beck e Acme e aprender muita coisa com eles ao longo dessa caminhada, foram fortes influências para eu construir o meu trabalho.

RM: Você esteve envolvido em projetos educacionais. Como eram esses projetos?
Minha mãe já era engajada em projetos sociais na época e foi ela que me iniciou no primeiro projeto, que foi com menores infratores no bairro de Nova Iguaçu. A partir daí foi um longo percurso, fiquei nessa durante uns 5, 6 anos, passando desde projetos sociais em favelas do Rio de janeiro às penitenciárias da Ilha do Governador, presídios femininos e masculinos. Através do graffiti conseguíamos ter a atenção desses jovens por algumas horas ao longo das semanas e com essa magia que o graffiti tem de entreter o jovem, muitos deles conseguiram através do graffiti sair da criminalidade ou evitá-la, alguns deles pintam até hoje e se tornaram amigos meus.

RM: Acha que o contato com a rua ajuda a despertar ou aprofundar a consciência do artista?
Com certeza, sair de andarilho atrás de um muro pela cidade nos faz entender como a cidade é e como ela precisa da gente.
Andar pela cidade e ver como um bairro é mais visto que o outro pelos nossos governantes é triste.Captura de tela de 2014-06-24 22:45:47Essa reflexão me faz pensar mais sobre o meu trabalho e de que forma irei agir de forma positiva para a rua. E através do graffiti conseguimos dar vida a muitos espaços esquecidos pelo governo.

mucho amorRM: Sua formação é em Design Gráfico. Como isso influenciou ou se refletiu depois na sua arte?
Conheci o Design através do graffiti. Um amigo que pintava comigo, o Grau, é que me apresentou e na sequência tive contato com o Motta, uma das minhas maiores referências como designer. A partir daí fui construindo a minha formação e não larguei mais do ofício, tento mesclar os dois o tempo todo, levando a linguagem de um para dentro do outro.

RM: Você gosta desse intercâmbio entre os diversos formatos/áreas (Web Design, Design Gráfico, Motion Design, Ilustração e Animação 2D)?
Já vi graffitis seus que são como tirinhas…
Como falei acima, um está dentro do outro e através do design, conheci o Motion Design que me levou para a animação 2d, que é área que ando me dedicando paralelo ao Motion. Nesse meio tempo o Tito na Rua, que é o criador do Zé Ninguém e idealizador do projeto Street Comics, me chamou para construir com ele a primeira história em quadrinho nas ruas aqui do Rio de Janeiro e me deu a liberdade de continuar o projeto através dos meus personagens, que é o que venho fazendo em alguns pontos da Lapa. Tenho o personagem Barbudinho, que é um jovem diferente dos padrões impostos pela a sociedade pois ele é barbudo e peludo, através dele tento passar diversas mensagens como por exemplo a causa da bicicleta, tento mostrar através das histórias que bicicleta é um veículo e a importância dela para o mundo. Vou relançar em breve a versão nova do Mucho Amor que é um super-herói que irá contaminar o mundo de amor e lutar contra os malfeitores. O segundo passo dessa brincadeira toda é transformar tudo isso em animação, mas aí já é outra história.

RM: O graffiti é uma arte em que o artista está muito próximo do público, na rua, no dia a dia das pessoas e até no momento da confecção das obras, enquanto as pessoas passam. Isso é importante pra você? Como você vê essa troca, esse diálogo?
Uma das coisas que mais me atraiu no graffiti e me atrai até hoje é esse contato com as pessoas, poder executar uma obra a céu aberto e ao longo dessa execução ser abordado por diversas pessoas te questionando o porquê de eu estar ali, que o que estou pintando está horrível, está lindo, quero uma obra dessas na minha casa, sai daí seu merda, pichador e por aí vai, esse é o real sentimento e essa troca me faz ter a cabeça mais aberta e pensar mais sobre como vou agir e como estou agindo, deixando as minhas marcas nas ruas. Então essa troca é essencial para a minha evolução.

RM: Já teve alguma experiência curiosa nesse contato com as pessoas na rua?
Captura de tela de 2014-06-24 22:52:52

RM: Como você vê o cenário do graffiti no Brasil hoje?
Acho que cada estado tem a sua cena, São Paulo vai ser sempre referência para mim, lá temos uma cidade que reflete literalmente o que a população sente. Vejo um Brasil aceitando cada vez mais o graffiti e a arte de rua, empresas aderindo ao graffiti como linguagem para as campanhas, projetos grandes aparecendo e isso só fortalece a cena, mas sempre o graffiti será ilegal, se apropriar de um espaço que não é nosso é a essência da parada.

nhobi, efixis, anonimundo e cazé no bairro de vila isabel, rio de janeiro

RM: Que artistas da atualidade você admira?
São tantos, mas os principais que admiro pela história e trabalho são o Onesto, Acme, Toz, Motta, Airá, Efixis, Biofa, Tito, Orion, Birita, Nhobi, Tarm, Crânio e Paulo Ito.

barbudinho

Limpo

terça-feira, dezembro 10, 2013

Conhecido no graffiti como Limpo, Fábio Rocha é baiano de Salvador, tem 33 anos e há 5 mora na Suécia. Ilustrador e grafiteiro, ele se inspira principalmente na realidade difícil que ainda encontra no nordeste: trabalho infantil, fome e o preconceito sofrido pelo povo nordestino no resto país…

RM: Hoje você trabalha como ilustrador – entre outras coisas, de livros infantis. Existe algum intercâmbio aí entre o graffiti e a ilustração? O que vai de um para o outro?
O lance da ilustração aconteceu através do graffiti. Foi a partir daí que surgiram os convites. Costumo falar que são ilustrações grafitadas só que não em paredes.

RM: Você também dá aulas de graffiti. Qual o público que chega nas aulas?
Tenho muitos trabalhos paralelos à minha arte.
Um deles são as oficinas de graffiti. O público não tem idade específica.  As pessoas chegam querendo ter o contato com o spray, aprender a técnica. Chegam através do contato com o meu trabalho no graffiti.
Agora estou recebendo convites de empresas para conduzir oficinas de inspiração artística.

RM: Li uma matéria onde você menciona a falta de valorização do graffiti no Brasil, economicamente… Uma lata de spray hoje custa em torno de R$16,00. Um trabalho grande sai caro e pode não ter retorno. Qual é a realidade do graffiti em outros países que você conhece?
Alguns grafiteiros até conseguem fazer muitos trabalhos comerciais mas colocam pouco da sua arte nesses trabalhos. Aparece muita gente pedindo pra pintar coisas específicas: peixes, meninos, aviões e tal.
Fica difícil quando você já vem amadurecendo seu trabalho…
Hoje, vivo do meu trabalho e acho que não conseguiria fazer isso no Brasil.

RM: O que é o Turbilhão Urbano?
Turbilhão Urbano é um grupo formado por Peace, Sisma, Madureira e eu. São grafiteiros que começaram a pintar na cidade de Salvador e que influenciaram todos os grafiteiros que hoje estão pintando por lá. Hoje, o grupo atua em produção cultural, design, turismo étnico, graffiti…
É uma turbina da rua.

RM: Muitos de seus trabalhos retratam a realidade nordestina. Ainda hoje é assim? Como você se mantém em contato com o Brasil, a Bahia, estando longe?
O trabalho continua com as mesmas características. Estou vindo ao Brasil 2 vezes por ano.

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RM: Quais são suas fontes de inspiração?
As crianças magras, descalças nas ruas, tristes e sofridas.
Meninas ainda crianças que têm que trabalhar e ter responsabilidades de adulto.
As casas de madeira, o preconceito que vem sofrendo o povo nordestino.
A vida é a minha inspiração.

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Nuno de Matos

quarta-feira, setembro 26, 2012

Nuno de Matos, também conhecido como Matox, é artista plástico. Nasceu em Portugal e hoje reside na França. Seu trabalho, considerado expressionista, foi influenciado pelos graffitis de rua – do Bairro Alto de Lisboa e do Barri Gotic de Barcelona.
Nuno se interessa pelas cores, movimento, texturas e caligrafia. Explora a fotografia e faz experimentações como lightdesign e lightgraffiti. Organiza todos os anos “la croisée d’art” em Eus (catalunha), exposição de arte contemporânea.

RM: Você transita entre vários países. Vê diferenças nas expressões artísticas de cada lugar?
Sim, acho que cada lugar tem sua magia própria. No processo atual de globalização, os artistas viajam muito, para conhecer, partilhar, mas também para investir em novos espaços.
A arte nas galerias pode ser a mesma em São Paulo, Nova York ou Paris, mas a arte urbana, deve estar imersa nessas cidades de forma muito diferente. Por isso, cada artista gosta de estar imerso numa nova cidade, para criar um novo impulso em sua criação…

RM: Acha que o contato com esses vários contextos influencia seu trabalho?
Sim, cada passo na vida, cada encontro influencia a vida de nós todos, em particular para os artistas, que talvez sejam mais atentos às expressões plásticas.

RM: Como é o trabalho com lightpainting? Como é lidar com algo tão efêmero?
Há o lightpainting efêmero, só visualizável com uma máquina reflex, mas também há o lightpainting que é, propriamente dito, pintar com a luz. Isso abrange projeções no espaço urbano… É efêmero também, mas o público pode ver ao vivo o que está projetado. Além disso, com as projeções é possível interagir com os espaços sem “vandalismo” e ao mesmo tempo sem perder o aspecto subversivo.

RM: Você utiliza várias técnicas: pintura, graffiti, fotografia… Como foi acontecendo essa mistura?
Gosto de brincar com tudo! Agora com as novas tecnologias há espaço para utilização de novas mídias na criação artística.

RM: Que artistas você admira?
Há muitos! Os clássicos: Picasso, Miró, Georges Mathieu… Atualmente há muitos artistas fantásticos. No Brasil em particular, gosto muito do trabalho de os gêmeos (que trabalham muito também aqui na Europa), de Zezão e suas intervenções abstratas, mas há muitos artistas que ainda nao conheço, por isso espero voltar ao Brasil em breve…

Toes

sábado, julho 2, 2011

Thiago Toes nasceu em Curitiba e vive em São Paulo. Começou a desenhar influenciado por seu pai e ainda muito cedo conheceu e se interessou pelo grafite. Thiago trabalhou com Nina Pandolfo e desenvolveu um estilo muito próprio, com traços retos e desenhos por vezes abstratos. Toes comenta como se inspira em seus próprios sonhos, sentimentos, etc.

RM: Como foi seu primeiro contato com o grafite?

Foi nas férias em 1998 quando vi um pessoal na quadra em frente a minha casa fazendo um GRAPIXO. Não entendi muito o que estava rolando, daí na semana seguinte começaram as aulas no colégio novo onde eu iria estudar e lá conheci um dos graffiteiros que fez aquele grapixo. Cheguei em casa e fui conversar com meu pai que é desenhista publicitário e eu sempre desenhei por influência dele. Uns dias depois meu pai apareceu com uma revista de graffiti bem velha em casa, que ele encontrou na banca. A partir daí, comecei a reparar no graffiti e na pixação, pois comecei a andar com o pessoal mais velho do meu bairro que pixava e a cada dia fui conhecendo mais o que era este movimento. Daí no colégio fiz meu primeiro desenho na parede, mas eu era muito novo, tinha apenas 12 anos, não conseguia dinheiro para comprar spray e também meu interesse na época era muito mais pixar do que fazer graffiti. Em 2001 fui em um evento em Santo André, vi tantos graffiteiros e estilos diferentes que me chamaram atenção que voltei para casa querendo fazer letra e desenho na rua. No dia seguinte, fiz minha primeira letra na rua. Mas meu contato com estilos e o movimento graffiti foi muito lento, pelo pouco acesso (ao material) e porque havia poucos graffiteiros na minha cidade. Só no final de 2002 para 2003 comecei a pintar um pouco mais na rua e entre 2005 e 2006 foi a época que entendi mais o que era o graffiti e o que ele representava e assim eu fui buscar algo além do graffiti ou coisas ainda não descobertas dentro dele.

RM: Percebe diferenças de estilos de acordo com os lugares?

Claro. Cada região – bairro, cidade, estado, país – tem seus estilos que a diferenciam de outros lugares. Porque cada lugar teve alguém que começou e então este primeiro acabou influenciando todos os outros que vieram depois. E acredito também que em cada lugar existem diferenças de estilo pela cultura ao redor, ou pelo estado financeiro ou por movimentos que possam ter existido no lugar muito antes.

RM: O seu trabalho ou parte dele é considerado abstrato… Você acha importante esse tipo de distinção entre estilos?

Para ser bem sincero, eu nunca parei para pensar sobre isso, se parte dele é abstrato ou não, porque na verdade eu nunca me importei com isso, em seguir distinção de estilos e etc. Meu trabalho tomou este rumo por aquilo que tive influência na minha vida, e principalmente pelas coisas que meu pai criava em casa, mas tudo isso nunca pensando só em influências abstratas, porque gosto de muitas coisas e acredito também que meu trabalho direciona para várias coisas, pois sonhos não tem limites.

RM: Que coisas te influenciam? Que outros artistas?

Sempre sonhos, o contato com a atmosfera humana, sentimentos, meu mundo que carrego aqui dentro. A relação com as pessoas, no começo com meu pai e a partir dele vários outros artistas, desde músicos, escritores, artistas plásticos, fotógrafos, enfim, tudo que você vê, ouve ou sente pode ser sua influência, mas depende só de você conseguir saber o que lhe toca mais.

RM: Que outros artistas você indica pra gente?

Tenho vários artistas para indicar que eu gosto muito: todos os meus amigos da minha crew – porque todos eles são pessoas de muito talento – e outros como Robert Kaltenhauser, Peter Michalski entre outros… Mas tem uma pessoa com quem trabalhei por um tempo que me ajudou muito a trabalhar como um artista e me ensinou muita coisa no mundo da arte em todos os aspectos: a Nina Pandolfo, uma grande artista e amiga.
Agradeço também ao Finok, um grande amigo, um irmão.

Nina Pandolfo

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Nina é de São Paulo. Com um vasto currículo, Nina participou da Graffiti Fine Art no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) em São Paulo (2010) além de várias exposições em São Paulo, Los Angeles, Nova Iorque, Mumbai, entre outras cidades. Em 2007, participou do The Graffiti Project onde realizou a pintura da fachada do castelo de Kelburn, na Escócia junto com outros grandes nomes do grafite como Osgemeos e Nunca.

RM: Resumo sobre você:
Uma pessoa abençoada. Trabalho com algo que é uma paixão.

RM: Você fez o caminho inverso né? Pintava quadros, foi da galeria para a rua… Como foi que aconteceu esse contato com o grafite?
Bom, na época eu era bem nova, era adolescente quando comecei a ter interesse com o graffiti. Não era ainda de nenhuma galeria mas costumava pintar quadros e diferentes suportes que encontrava.
Eu tinha uma idéia, que acho não ter mudado, que as pessoas não tinham o costume de ir em galerias, teatros, shows… Os jovens tinham e ainda tem uma vida cultural pouco viva.
Comecei a ver “pinturas” nas paredes por onde costumava andar e achei que eram pessoas que como eu viam a falta de atividade cultural das pessoas e resolveram levar até a rotina delas esta arte. Eu também fazia teatro de rua. Justamente por este motivo.
Foi então que me interessei. Como também gostava de provar novos suportes como troncos, folhas de arvores, tecido… achei que seria mais um suporte diferente e que além disso poderia interferir na rotina das pessoas.

RM: O que as bonequinhas tão presentes nos seus trabalhos representam?
O universo feminino. o mundo ludico de uma criança… Acho que também coloco um pouco de mim…

RM: Que coisas te influenciam?
O lúdico mundo de uma criança. Os detalhes que elas veem. A delicadeza da mulher. A sensualidade que nós temos. O “tudo é possivel” neste mundo, o nada é feio, nada é do mal…

RM: Você é de São Paulo. Acha que o grafite tem características diferentes em cada lugar?
A cidade tem uma certa influência sobre seus artistas, seja de rua ou não. A vida que se leva em cada cidade vai refletir no resultado de seu trabalho.

RM: Como foi receber o convite para pintar o Kelburn Castle na Escócia junto com osgemeos e Nunca?
Algo inacreditável, só “caiu a ficha” quando cheguei e vi o castelo de frente. Vi a bandeira brasileira hasteada acima da escocesa. Aí sim pude perceber que estava pintando um castelo mais velho que a história do Brasil.
Foi uma experiência cheia de novas influências, tive uma overdose de história. Pude ver uma tradição de 800 anos.

RM: Quais foram os trabalhos mais marcantes para você?
Muitos foram marcantes. Uns pelo resultado, outros pela experiência, outros por sua história. Não me esqueço de nenhum, todos eu tenho uma história legal pra contar. Não sei se sou eu que vou de encontro a estas histórias ou se elas são reais. Mas todos os projetos foram tão importantes pra mim… é dificil selecionar um.

RM: Tenho a impressão que aqui no Brasil o grafite se desenvolveu de uma forma muito legal. Às vezes, vejo trabalhos de outros lugares do mundo e acho que a gente não fica devendo nada… Você que é profissional, já viajou e tudo a trabalho, como vê esse cenário?
Realmente, a cena do graffiti brasileiro tem se destacado. Nosso improviso, nosso “jeitinho brasileiro” ajuda muito nisto. A falta de produtos e informação, que tínhamos no início, fez com que iniciássemos de uma forma totalmente nossa. E isto se reflete até os dias atuais.

RM: Quais os seus artistas preferidos no grafite?
São muitos, mas alguns deles são: osgemeos, nunca, vitche, finok, toes, Barry Mcgee, Blu, Faith47, Stelios Faitakis…

Meeting of Favela

quarta-feira, novembro 17, 2010

No dia 28 de novembro, em Duque de Caxias, acontece a quinta edição do MOF – Meeting of Favela. O evento reune grafite,  música e intervenções e acontece na Vila Operária, a partir das 10h.

Finok

terça-feira, novembro 9, 2010

Finok é de São Paulo, do bairro do Cambuci. O interesse pelo grafite começou quando viu outros meninos grafitando na rua. Hoje o artista é reconhecido: já teve obras suas expostas no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) na Graffiti Fine Art, já personalizou óculos Ray Ban e sandálias Havaianas. O Grafite – e o artista – ganha cada vez mais não só as ruas como as galerias.

RM: Qual foi seu primeiro contato com o grafite?
Eu cresci no bairro do Cambuci, se não o mais, um dos bairros mais clássicos do graffiti em São Paulo, o mesmo bairro de onde surgiram outros grandes artistas como Osgemeos, Nina, Nunca, Ise, Vitche, Coio. Acho que isso tudo me influenciou bastante, fora toda a poluição visual que eu sempre gostava de observar. Tudo isso por volta de 2002, mas comecei mesmo em 2004.

RM: Você desenhava quando era criança? Como foi esse caminho até chegar no grafite?
Sempre gostei muito de desenhar. Acredito que muitas vezes o graffiti é mais ação do que a parte visual, e o despertar pra isso foi um dia quando vi uns meninos fazendo graffiti ilegal em uma parede. Me fiz mil perguntas, mas não achei resposta, procurei a resposta fazendo o mesmo que eles tinham feito.

RM: Que coisas te influenciam? Que outros artistas? Imagino que num trabalho na rua, dá pra fazer um mix de muitas coisas até de outras origens para além do grafite…
Tudo me influencia, a rua, desenhos, pessoas, atos. A princípio eu tive muita influência de artistas do bairro. Hoje em dia minhas influências são outras, não propriamente artistas, mas muitas coisas que eu vejo, na maioria das vezes não relacionadas a parte visual.

RM: O que você espera que as pessoas percebam nos seus trabalhos?
Eu gosto de criar dúvidas e questões na cabeça das pessoas, muitos tipos diferentes de significados, assim como eu tive na primeira vez que eu vi pessoas pintando na rua. Gosto que tenham muitos tipos diferentes de significados vendo uma obra minha, e tenham muitas questões, até mesmo quando é um trabalho feito na rua para ser “lido”.

RM: Como foi o convite pra ter seus desenhos na Havaianas?
Foi bem legal, porque o conceito das Havaianas tem muito a ver com o que pinto muitas vezes, e mais ainda com o povo brasileiro, um povo feliz.

RM: Pra quem se interessa por grafite, quais são suas dicas? Hoje em dia existem até cursos, né? Quais são os seus conselhos?

Meu conselho é: vá para a rua, o maior professor que existe é a rua.

RM: Que outros artistas você indica pra gente?
Tem muitos artistas bons, Nina Pandolfo, Nunca, Osgemeos, mas eu indicaria hoje o Toes, que começou fazendo graffiti comigo, e hoje está produzindo coisas muito boas também.