Archive for the ‘artes plásticas’ Category

Cazé

terça-feira, agosto 12, 2014

Fernando Sawaya, o Cazé, iniciou a carreira artística através do graffiti. Estudou Design Gráfico e Animação. Já atuou como Web Designer, Motion-Designer e tem como foco a animação 2D. Barbudinho, seu principal personagem, espalha bom humor e reflexão pelas ruas do Rio.

 

RM: Como foi seu primeiro contato com o graffiti?
Tudo começou com a pichação em 2003/04. Tinha minha galera onde eu morava em Copacana e alguns amigos já eram pichadores. Despertei interesse pelo assunto e comecei a riscar uns nomes pelo meu bairro, foi uma trajetória bem curta – nesse meio tempo mudei de colégio e fui estudar no Méier, zona norte do Rio de Janeiro, onde tudo começou: vi os primeiros painéis de graffiti da Nação crew, tive uma aula de artes no colégio falando sobre graffiti e um professor que passou a me incentivar bastante. Conheci outros grafiteiros no colégio e montamos a nossa “crew”, pude acompanhar a evolução dos caras da Nação, Flesh Beck e Acme e aprender muita coisa com eles ao longo dessa caminhada, foram fortes influências para eu construir o meu trabalho.

RM: Você esteve envolvido em projetos educacionais. Como eram esses projetos?
Minha mãe já era engajada em projetos sociais na época e foi ela que me iniciou no primeiro projeto, que foi com menores infratores no bairro de Nova Iguaçu. A partir daí foi um longo percurso, fiquei nessa durante uns 5, 6 anos, passando desde projetos sociais em favelas do Rio de janeiro às penitenciárias da Ilha do Governador, presídios femininos e masculinos. Através do graffiti conseguíamos ter a atenção desses jovens por algumas horas ao longo das semanas e com essa magia que o graffiti tem de entreter o jovem, muitos deles conseguiram através do graffiti sair da criminalidade ou evitá-la, alguns deles pintam até hoje e se tornaram amigos meus.

RM: Acha que o contato com a rua ajuda a despertar ou aprofundar a consciência do artista?
Com certeza, sair de andarilho atrás de um muro pela cidade nos faz entender como a cidade é e como ela precisa da gente.
Andar pela cidade e ver como um bairro é mais visto que o outro pelos nossos governantes é triste.Captura de tela de 2014-06-24 22:45:47Essa reflexão me faz pensar mais sobre o meu trabalho e de que forma irei agir de forma positiva para a rua. E através do graffiti conseguimos dar vida a muitos espaços esquecidos pelo governo.

mucho amorRM: Sua formação é em Design Gráfico. Como isso influenciou ou se refletiu depois na sua arte?
Conheci o Design através do graffiti. Um amigo que pintava comigo, o Grau, é que me apresentou e na sequência tive contato com o Motta, uma das minhas maiores referências como designer. A partir daí fui construindo a minha formação e não larguei mais do ofício, tento mesclar os dois o tempo todo, levando a linguagem de um para dentro do outro.

RM: Você gosta desse intercâmbio entre os diversos formatos/áreas (Web Design, Design Gráfico, Motion Design, Ilustração e Animação 2D)?
Já vi graffitis seus que são como tirinhas…
Como falei acima, um está dentro do outro e através do design, conheci o Motion Design que me levou para a animação 2d, que é área que ando me dedicando paralelo ao Motion. Nesse meio tempo o Tito na Rua, que é o criador do Zé Ninguém e idealizador do projeto Street Comics, me chamou para construir com ele a primeira história em quadrinho nas ruas aqui do Rio de Janeiro e me deu a liberdade de continuar o projeto através dos meus personagens, que é o que venho fazendo em alguns pontos da Lapa. Tenho o personagem Barbudinho, que é um jovem diferente dos padrões impostos pela a sociedade pois ele é barbudo e peludo, através dele tento passar diversas mensagens como por exemplo a causa da bicicleta, tento mostrar através das histórias que bicicleta é um veículo e a importância dela para o mundo. Vou relançar em breve a versão nova do Mucho Amor que é um super-herói que irá contaminar o mundo de amor e lutar contra os malfeitores. O segundo passo dessa brincadeira toda é transformar tudo isso em animação, mas aí já é outra história.

RM: O graffiti é uma arte em que o artista está muito próximo do público, na rua, no dia a dia das pessoas e até no momento da confecção das obras, enquanto as pessoas passam. Isso é importante pra você? Como você vê essa troca, esse diálogo?
Uma das coisas que mais me atraiu no graffiti e me atrai até hoje é esse contato com as pessoas, poder executar uma obra a céu aberto e ao longo dessa execução ser abordado por diversas pessoas te questionando o porquê de eu estar ali, que o que estou pintando está horrível, está lindo, quero uma obra dessas na minha casa, sai daí seu merda, pichador e por aí vai, esse é o real sentimento e essa troca me faz ter a cabeça mais aberta e pensar mais sobre como vou agir e como estou agindo, deixando as minhas marcas nas ruas. Então essa troca é essencial para a minha evolução.

RM: Já teve alguma experiência curiosa nesse contato com as pessoas na rua?
Captura de tela de 2014-06-24 22:52:52

RM: Como você vê o cenário do graffiti no Brasil hoje?
Acho que cada estado tem a sua cena, São Paulo vai ser sempre referência para mim, lá temos uma cidade que reflete literalmente o que a população sente. Vejo um Brasil aceitando cada vez mais o graffiti e a arte de rua, empresas aderindo ao graffiti como linguagem para as campanhas, projetos grandes aparecendo e isso só fortalece a cena, mas sempre o graffiti será ilegal, se apropriar de um espaço que não é nosso é a essência da parada.

nhobi, efixis, anonimundo e cazé no bairro de vila isabel, rio de janeiro

RM: Que artistas da atualidade você admira?
São tantos, mas os principais que admiro pela história e trabalho são o Onesto, Acme, Toz, Motta, Airá, Efixis, Biofa, Tito, Orion, Birita, Nhobi, Tarm, Crânio e Paulo Ito.

barbudinho

Tales Sabará

terça-feira, junho 24, 2014

Tales Sabará é de Minas, tem 28 anos e é formado em Pintura e Gravura em Metal.

Vê a arte como um meio de despertar emoções nas pessoas e idealiza projetos que promovam o acesso à cultura.

RM : Como surgiu seu interesse pelas artes?
Hoje, aos 26 de idade, fazendo uma retrospectiva do meu início com o que possa chamar algo próximo das artes visuais, tendo a dizer que meu interesse pelas artes nasce do contato com o desenho, linguagem que se faz presente principalmente na infância, na vida de qualquer um.

Por ser filho de mãe professora e pedagoga e muito influenciado pela minha tia Delvira, também professora, ter o contato com papéis diversos, desenhos para colorir, lápis de cor, caneta e tantos outros materiais sempre foi algo natural. Isso despertou minha paixão e ao longo dos anos procurei aprofundar certos conhecimentos.

Lembro-me de, aos 12 anos de idade, ainda em Congonhas (Minas Gerais), ser inscrito por meus pais em aulas de desenho de observação, ministradas pelo professor Jomadi e de pintura com a professora Nadege. Esses dois profissionais foram muito importantes em minha vida, pois me apresentaram as primeiras noções técnicas da pintura e do desenho. Aliado a isso, a figura dos meus pais (Ângela Sabará e João Sabará) que sempre incentivaram cada passo. Aos 16 anos de idade recordo-me deles me levarem em uma exposição de gravuras de Pablo Picasso. Naquele momento ainda não conhecia muito a respeito do processo de gravura e tudo mais, mas foi suficiente para que eu decidisse o que gostaria de tentar na minha vida profissional, já que os trabalhos do artista espanhol me comoveram profundamente. Naquele momento percebi que um trabalho de arte propriamente dito não estava apenas a serviço da técnica, haveria que ter uma busca maior, tocar outra pessoa, e foi isso o que aquela exposição deixou e que hoje tento a cada projeto.

RM: Você é formado em pintura e Gravura em Metal. O que você busca hoje como artista?
Sou graduado nas duas habilitações e sempre gostei de música apesar de não saber tocar nenhum instrumento. A citação da música aqui é apenas no intuito de dizer o que hoje pretendo com o meu trabalho. Vejo como a música é capaz de chegar às pessoas de forma tão espontânea e natural e ser capaz de emocionar. Sempre que vou a concertos, ou mesmo escutando rádio ou CD em casa me pego também me emocionando em um curto espaço de tempo. A minha busca, tentativa, com os projetos que realizo é: despertar emoções nas pessoas; inserir as artes visuais nos lares e nas vidas das pessoas – tal como a música está presente, já que em qualquer canto do país ou do mundo uma pessoa tem um radinho, mesmo que a pilha; promover o estudo das artes através das crianças e adolescentes.

Esse último item, vem ao encontro da criação do Atelier Kayab. Além de ser o meu local de trabalho em Congonhas (Minas Gerais), esse espaço é também galeria e recebe workshops, oficinas, palestras, em geral, oferecidas às pessoas da cidade em questão e municípios vizinhos, em especial crianças e adolescentes da rede pública de ensino. Com a elaboração de simples projetos pretendo, com a colaboração de amigos, outros artistas e empresas parceiras, incentivar a arte, a cultura e promover oportunidades.

RM: Você participou do projeto “No olho da rua” (fotografia). Como você vê essa troca entre as diversas formas de expressão artística?
A arte visual é um terreno muito fértil e possibilita ao profissional estar em contato com diversas áreas de conhecimento: desenho, pintura, gravura, escultura, vídeo, fotografia, etc. Nas minhas atuais produções, tento a mescla entre os universos e aprofundar o meu conhecimento a respeito de cada área. Cada nova área de atuação ajuda no direcionamento e construção de uma área anterior já estudada.

Com relação ao projeto citado, No olho da rua, a grata oportunidade de trabalhar com os profissionais Patrícia Azevedo, Murilo Godoy e Julian Germain só não foi maior que a oportunidade que esses me ofereceram de aplicar as artes visuais no contexto social. Tal projeto é configurado pelos profissionais citados e a cooperação de diversas crianças e jovens que vivem nas ruas de Belo Horizonte e visa incentivar a produção da fotografia de forma livre e apresentar ao público o trabalho realizado pelos moradores de rua, deixando clara a visão deles de mundo e do que são capazes. Além das questões poéticas e visuais presentes nas imagens que são captadas, esse material está repleto de questionamentos a respeito de diversas questões sociais globais que são trazidas ao público através da distribuição gratuita de jornais contendo as fotografias. Ter participado desse projeto em 2007 transformou a minha concepção de mundo e das reais necessidades humanas.

RM: Algumas de suas obras são bastante características e parecem ter uma ligação entre si. O que as obras como “D. Maria”, “D. Maria II”, “Maria Joana”, “Efigênia”, “Sr Agostinho” representam?

Fazem parte de um projeto intitulado Filhos da Terra. Nesta série de desenhos de grafite sobre papel, retrato homens e mulheres negras da minha cidade natal, Congonhas.

Quando iniciei o projeto, no final de 2008, início de 2009, acreditava que abordava a questão do negro na minha cidade e, por conseguinte, no meu estado ou país. No entanto, com o desenrolar do trabalho percebi que, na verdade, estava falando a respeito da minha identidade cultural, na medida em que estava falando de pessoas que faziam parte do meu cotidiano, como uma quitandeira, uma beata, um senhor do grupo de congado ou mesmo o meu avô paterno.

Aqui chamo a atenção para o quanto é importante para um artista visitar e revisitar o próprio trabalho e ter a oportunidade de apresentá-lo ao público. O primeiro ponto se faz importante para perceber as reais possibilidades e propostas ditas pelo próprio trabalho; o segundo confere a oportunidade do artista compartilhar uma leitura possível com seu público e ao mesmo tempo ter uma ou várias leituras compartilhadas pelo público sobre o trabalho.

RM: A gravura em metal não é uma expressão tão popular. Por que você a escolha?

Quando visitei a exposição de gravuras de Picasso, que possuía cerca de 80 gravuras sendo a maioria gravuras em metal, talvez ali, no ano de 2001, muito distante da minha formação como gravador em 2011, tenha nascido o primeiro desejo de fazer gravura.

Ter feito o curso de Artes Visuais na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) me possibilitou conhecer processos que não eram familiares.

O intuito de estudar gravura em metal, que hoje é uma das minhas paixões, nasceu justamente da minha dificuldade em entender a técnica nos primeiros anos de faculdade. A gravura em metal é a sensibilidade da linha, ponta seca, buril, berceau, rolete e tantas outras ferramentas, ao mesmo tempo há a matriz a ser gravada, a prensa, o papel, as provas de estado, a prova de artista, a reprodutibilidade. Tudo isso em uma área, não é de se espantar o encanto que se desperta.

Após minha formação em pintura (2009) passei a dedicar meus estudos à produção da gravura em metal. No início, o meu embate passou a ser com as questões técnicas desse meio, somente hoje, após 3 anos de estudos, começo a ver outras possibilidades que irão me direcionar para a configuração de um trabalho propriamente dito nesta área.

RM: Suas obras são bem diversificadas. Você usa diversos materiais e técnicas, percebemos uma identidade em alguns grupos de suas obras como os desenhos em grafite, os desenhos em nanquim. Você busca essa diversidade?

A busca pela diversidade técnica passa primeiro pelo desejo de ampliar o meu repertório de possibilidades. Segundo, cada série de trabalhos e ou tema me sugerem apontamentos para qual processo deve ser utilizado. Não quero dizer com isso que a pintura, a gravura, ou desenho, ou qualquer área sejam capazes de dizer coisas específicas, porém percebo que a respeito de determinados temas, a minha pintura, ou o meu desenho, a minha gravura, possam ser mais coerentes. Aliás, considero que tema e processo caminham juntos.

RM: Você vive hoje do seu trabalho como artista? Como vê essa realidade hoje no Brasil?

Hoje o trabalho de artista visual não se resume ao papel de produtor de imagens. Considero que o artista hoje desenvolve trabalhos frente à produção cultural, gestão de projetos, marketing, consultoria, palestras, oficinas, workshops. Com a criação do Atelier Kayab em 2011 e a colaboração de empresas parceiras (Vale, itsNOON, Gallearte e Viamundi Idiomas e Traduções), temos aos poucos iniciado um trabalho que poderemos escalar em pouco tempo e gerar frutos, tanto do ponto de vista financeiro como social. Considero que essa é uma linha de raciocínio de diversos artistas, galerias e empresas apoiadoras e é uma atividade que aos poucos se desenvolve no Brasil.

RM: Que artistas da atualidade você admira?

Todo profissional tem as grandes referências que historicamente foram reconhecidas e comigo também não é diferente. Atualmente eu citaria os artistas que ao longo do tempo a vida me apresentou e hoje se tornaram amigos pessoais, como: Gil Vicente, Marcelo Silveira, Mário Zavagli, Clébio Maduro, Bruno Amarante, Eduardo Rosa, Marcel Diogo, Marcelo Albuquerque, Paulo Fiotti, Manoel Veiga, Renato Valle, Fábio Belotte, Patrícia Azevedo, Luciomar S. de Jesus, Sérgio Barros, Leandro Figueiredo, Daniel Bilac, Gabriela Brasileiro.

Limpo

terça-feira, dezembro 10, 2013

Conhecido no graffiti como Limpo, Fábio Rocha é baiano de Salvador, tem 33 anos e há 5 mora na Suécia. Ilustrador e grafiteiro, ele se inspira principalmente na realidade difícil que ainda encontra no nordeste: trabalho infantil, fome e o preconceito sofrido pelo povo nordestino no resto país…

RM: Hoje você trabalha como ilustrador – entre outras coisas, de livros infantis. Existe algum intercâmbio aí entre o graffiti e a ilustração? O que vai de um para o outro?
O lance da ilustração aconteceu através do graffiti. Foi a partir daí que surgiram os convites. Costumo falar que são ilustrações grafitadas só que não em paredes.

RM: Você também dá aulas de graffiti. Qual o público que chega nas aulas?
Tenho muitos trabalhos paralelos à minha arte.
Um deles são as oficinas de graffiti. O público não tem idade específica.  As pessoas chegam querendo ter o contato com o spray, aprender a técnica. Chegam através do contato com o meu trabalho no graffiti.
Agora estou recebendo convites de empresas para conduzir oficinas de inspiração artística.

RM: Li uma matéria onde você menciona a falta de valorização do graffiti no Brasil, economicamente… Uma lata de spray hoje custa em torno de R$16,00. Um trabalho grande sai caro e pode não ter retorno. Qual é a realidade do graffiti em outros países que você conhece?
Alguns grafiteiros até conseguem fazer muitos trabalhos comerciais mas colocam pouco da sua arte nesses trabalhos. Aparece muita gente pedindo pra pintar coisas específicas: peixes, meninos, aviões e tal.
Fica difícil quando você já vem amadurecendo seu trabalho…
Hoje, vivo do meu trabalho e acho que não conseguiria fazer isso no Brasil.

RM: O que é o Turbilhão Urbano?
Turbilhão Urbano é um grupo formado por Peace, Sisma, Madureira e eu. São grafiteiros que começaram a pintar na cidade de Salvador e que influenciaram todos os grafiteiros que hoje estão pintando por lá. Hoje, o grupo atua em produção cultural, design, turismo étnico, graffiti…
É uma turbina da rua.

RM: Muitos de seus trabalhos retratam a realidade nordestina. Ainda hoje é assim? Como você se mantém em contato com o Brasil, a Bahia, estando longe?
O trabalho continua com as mesmas características. Estou vindo ao Brasil 2 vezes por ano.

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RM: Quais são suas fontes de inspiração?
As crianças magras, descalças nas ruas, tristes e sofridas.
Meninas ainda crianças que têm que trabalhar e ter responsabilidades de adulto.
As casas de madeira, o preconceito que vem sofrendo o povo nordestino.
A vida é a minha inspiração.

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Nuno de Matos

quarta-feira, setembro 26, 2012

Nuno de Matos, também conhecido como Matox, é artista plástico. Nasceu em Portugal e hoje reside na França. Seu trabalho, considerado expressionista, foi influenciado pelos graffitis de rua – do Bairro Alto de Lisboa e do Barri Gotic de Barcelona.
Nuno se interessa pelas cores, movimento, texturas e caligrafia. Explora a fotografia e faz experimentações como lightdesign e lightgraffiti. Organiza todos os anos “la croisée d’art” em Eus (catalunha), exposição de arte contemporânea.

RM: Você transita entre vários países. Vê diferenças nas expressões artísticas de cada lugar?
Sim, acho que cada lugar tem sua magia própria. No processo atual de globalização, os artistas viajam muito, para conhecer, partilhar, mas também para investir em novos espaços.
A arte nas galerias pode ser a mesma em São Paulo, Nova York ou Paris, mas a arte urbana, deve estar imersa nessas cidades de forma muito diferente. Por isso, cada artista gosta de estar imerso numa nova cidade, para criar um novo impulso em sua criação…

RM: Acha que o contato com esses vários contextos influencia seu trabalho?
Sim, cada passo na vida, cada encontro influencia a vida de nós todos, em particular para os artistas, que talvez sejam mais atentos às expressões plásticas.

RM: Como é o trabalho com lightpainting? Como é lidar com algo tão efêmero?
Há o lightpainting efêmero, só visualizável com uma máquina reflex, mas também há o lightpainting que é, propriamente dito, pintar com a luz. Isso abrange projeções no espaço urbano… É efêmero também, mas o público pode ver ao vivo o que está projetado. Além disso, com as projeções é possível interagir com os espaços sem “vandalismo” e ao mesmo tempo sem perder o aspecto subversivo.

RM: Você utiliza várias técnicas: pintura, graffiti, fotografia… Como foi acontecendo essa mistura?
Gosto de brincar com tudo! Agora com as novas tecnologias há espaço para utilização de novas mídias na criação artística.

RM: Que artistas você admira?
Há muitos! Os clássicos: Picasso, Miró, Georges Mathieu… Atualmente há muitos artistas fantásticos. No Brasil em particular, gosto muito do trabalho de os gêmeos (que trabalham muito também aqui na Europa), de Zezão e suas intervenções abstratas, mas há muitos artistas que ainda nao conheço, por isso espero voltar ao Brasil em breve…

Clau Cseri

terça-feira, setembro 27, 2011

Claudia Cseri é artista plástica e restauradora. Além disso, cria semi-jóias e conhece bem a arte da tapeçaria. Nascida em São Paulo e filha de europeus (o pai é austríaco e a mãe italiana), aprendeu ainda jovem e em companhia das irmãs a arte que os pais dominam.
Curiosa, Clau fez cursos de fabricação de tintas e de papel artesanal. Com as dificuldades da vida de artista, está sempre correndo atrás de novas possibilidades.

RM: Seus pais também são artistas. Foi essa convivência que despertou seu interesse?
Meus pais são artistas no ramo da tapeçaria artística: meu pai – austríaco de Viena e minha mãe – de Udine – se conheceram em São Paulo. Quando jovem ele aprendeu tapeçaria artística em Viena e quando se casou com minha mãe ensinou a ela todas as técnicas . Mudaram-se para a fazenda onde vivemos agora e montaram o atelier 7 pastores e começou a produção das tapeçarias por encomenda e venda em exposições. Aprendi junto com minhas irmãs, e como sempre tive paixão pela arte foi fácil.

RM: Você tem um grande interesse também pela fabricação dos materiais (fez cursos de fabricação de tintas e de fabricação artesanal de papel). Como acha que isso complementa a sua experiência como artista?
Eu sempre fui muito curiosa e queria aprender como se fabricavam as tintas e outros materiais, e por coincidência surgiu um curso de fabricação de tintas com pigmentos minerais na Galeria Documenta em São Paulo e também o de fabricação de papel artesanal na mesma galeria – é claro que corri pra aproveitar essas chances. Adorei. Foram maravilhosos os dois cursos, são as técnicas antigas que os artistas usavam quando não existiam as tintas industriais, mas bem mais saudáveis. Me fizeram crescer muito como artista, e serviram muito também na restauração.

RM: Você também trabalha com restauração, tapeçaria artística, entre outras coisas… É muito difícil viver da própria arte?
Acabei entrando para a restauração por incentivo de minha tia e adorei pois envolve muita pesquisa, cada obra a ser restaurada é única e a gente acaba conhecendo toda a história de sua origem, muita técnica, bom olho para perceber todos os detalhes e paixão pela arte.  A tapeçaria acho que é continuação da pintura  em outra técnica. Atualmente está  muito dificil viver de arte, por isso temos que sempre fazer  outros cursos.  Atualmente estou fazendo curso de computação gráfica – animação – para poder ampliar chances de melhores trabalhos.

RM: Para você, qual é o papel da arte?
Acho que a arte faz parte do dia a dia da humanidade mesmo que as pessoas não percebam, ela nos dá o equilíbrio para a vida se tornar mais agradável – ela abrange tudo: principalmente a natureza. Ela é um meio de comunicação que se expressa através da beleza, formas, cores, tanto na pintura, na tapeçaria, nas semi-jóias, no cinema, na fotografia – em todas as expressões. O mundo sem a arte não daria certo, já está difícil com ela,  sem ela o mundo não existiria – ela faz parte do meio ambiente de nosso lindo planeta, e universo.

RM: Quais são as suas influências?
As maiores influências foram do Picasso e Cezanne. Sempre gostei muito do tabalhos de ambos.

RM: Quais os artistas da atualidade você destacaria?
Dos artistas atuais, acho o Romero Brito um bom artista, não por estar na moda mas por ele ser autêntico e simples. Frann, Clarice Sarraf, Walter Handro e outros ótimos artistas.

Toes

sábado, julho 2, 2011

Thiago Toes nasceu em Curitiba e vive em São Paulo. Começou a desenhar influenciado por seu pai e ainda muito cedo conheceu e se interessou pelo grafite. Thiago trabalhou com Nina Pandolfo e desenvolveu um estilo muito próprio, com traços retos e desenhos por vezes abstratos. Toes comenta como se inspira em seus próprios sonhos, sentimentos, etc.

RM: Como foi seu primeiro contato com o grafite?

Foi nas férias em 1998 quando vi um pessoal na quadra em frente a minha casa fazendo um GRAPIXO. Não entendi muito o que estava rolando, daí na semana seguinte começaram as aulas no colégio novo onde eu iria estudar e lá conheci um dos graffiteiros que fez aquele grapixo. Cheguei em casa e fui conversar com meu pai que é desenhista publicitário e eu sempre desenhei por influência dele. Uns dias depois meu pai apareceu com uma revista de graffiti bem velha em casa, que ele encontrou na banca. A partir daí, comecei a reparar no graffiti e na pixação, pois comecei a andar com o pessoal mais velho do meu bairro que pixava e a cada dia fui conhecendo mais o que era este movimento. Daí no colégio fiz meu primeiro desenho na parede, mas eu era muito novo, tinha apenas 12 anos, não conseguia dinheiro para comprar spray e também meu interesse na época era muito mais pixar do que fazer graffiti. Em 2001 fui em um evento em Santo André, vi tantos graffiteiros e estilos diferentes que me chamaram atenção que voltei para casa querendo fazer letra e desenho na rua. No dia seguinte, fiz minha primeira letra na rua. Mas meu contato com estilos e o movimento graffiti foi muito lento, pelo pouco acesso (ao material) e porque havia poucos graffiteiros na minha cidade. Só no final de 2002 para 2003 comecei a pintar um pouco mais na rua e entre 2005 e 2006 foi a época que entendi mais o que era o graffiti e o que ele representava e assim eu fui buscar algo além do graffiti ou coisas ainda não descobertas dentro dele.

RM: Percebe diferenças de estilos de acordo com os lugares?

Claro. Cada região – bairro, cidade, estado, país – tem seus estilos que a diferenciam de outros lugares. Porque cada lugar teve alguém que começou e então este primeiro acabou influenciando todos os outros que vieram depois. E acredito também que em cada lugar existem diferenças de estilo pela cultura ao redor, ou pelo estado financeiro ou por movimentos que possam ter existido no lugar muito antes.

RM: O seu trabalho ou parte dele é considerado abstrato… Você acha importante esse tipo de distinção entre estilos?

Para ser bem sincero, eu nunca parei para pensar sobre isso, se parte dele é abstrato ou não, porque na verdade eu nunca me importei com isso, em seguir distinção de estilos e etc. Meu trabalho tomou este rumo por aquilo que tive influência na minha vida, e principalmente pelas coisas que meu pai criava em casa, mas tudo isso nunca pensando só em influências abstratas, porque gosto de muitas coisas e acredito também que meu trabalho direciona para várias coisas, pois sonhos não tem limites.

RM: Que coisas te influenciam? Que outros artistas?

Sempre sonhos, o contato com a atmosfera humana, sentimentos, meu mundo que carrego aqui dentro. A relação com as pessoas, no começo com meu pai e a partir dele vários outros artistas, desde músicos, escritores, artistas plásticos, fotógrafos, enfim, tudo que você vê, ouve ou sente pode ser sua influência, mas depende só de você conseguir saber o que lhe toca mais.

RM: Que outros artistas você indica pra gente?

Tenho vários artistas para indicar que eu gosto muito: todos os meus amigos da minha crew – porque todos eles são pessoas de muito talento – e outros como Robert Kaltenhauser, Peter Michalski entre outros… Mas tem uma pessoa com quem trabalhei por um tempo que me ajudou muito a trabalhar como um artista e me ensinou muita coisa no mundo da arte em todos os aspectos: a Nina Pandolfo, uma grande artista e amiga.
Agradeço também ao Finok, um grande amigo, um irmão.

Walter Handro

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Walter Handro é artista plástico. Começou a se interessar por pintura estimulado pelo pai que o levava a galerias e salões de arte. Sua formação mescla iniciativas autodidatas e cursos com outros artistas.

Walter é Biólogo, foi cientista e professor de Botânica na USP e, no início de sua carreira científica, aproveitou seu talento para o desenho em seus trabalhos em anatomia e morfologia vegetal.

RM: Como surgiu seu interesse pelas artes plásticas?
Quando eu era garoto, no fim da década de 40, inicio dos anos 50 (nossa!!!), meu pai levava-me ao Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia, em São Paulo. Já na segunda metade da década de 50, eu trabalhava no centro de São Paulo, e frequentava galerias nos arredores da Rua Barão de Itapetininga, o Museu de Arte Moderna, na rua 7 de Abril. Deve ter começado por aí. Ganhei até um estojo com material de pintura (aquarela) de meu pai.

RM: Quando você começou a pintar?
Fiz minhas primeiras tentativas entre os 16-17 anos, com aquarela. Depois, abandonei totalmente a pintura. Nos primeiros anos de minha carreira científica (anos 60), quando trabalhei com anatomia e morfologia vegetal, usava muito minha habilidade em desenhar. Posteriormente dediquei-me à Fisiologia e Biotecnologia de Plantas, como cientista e professor na USP, abandonando totalmente desenho e pintura. Mas fotografei muito. Trabalho mais sério com pintura comecei mesmo no fim dos anos 90, e depois que me aposentei (2001). Nessa época eu já colecionava pinturas e gravuras, e resolvi experimentar pintar também.

RM: Você é Biólogo. Como foi sua formação na pintura? Foi um processo autodidata?
Comecei fazendo algumas tentativas pintando a óleo (1997), e logo arranjei uma professora (Neusa Nogueira), que tinha sido aluna de Durval Pereira e de Castellane. Com ela trabalhei um ano e comecei a participar de exposições e receber alguns prêmios. Em 2001, fiz um curso de aquarela em Paris com Tim Smith, ilustrador da UNICEF e de gravadoras, e em 2002 trabalhei com Djalma Urban. Desses artistas recebi uma formação técnica, muitas dicas importantes, absorvi alguma coisa de seus estilos, mas logo procurei desenvolver uma linguagem própria.

RM: Quais são suas influências?
Tenho duas vertentes no meu trabalho. Uma, mais tradicional, onde expresso minha paixão pela paisagem, especialmente as marinhas. Procuro trabalhar num estilo solto, de pinceladas rápidas e nervosas, “alla prima”, com muita tinta. Com aquarela também evito detalhes, como delinear portas ou janelas, apenas sugiro. Detestaria que dissessem que uma paisagem minha “parece uma foto”, ou que minhas flores “parecem naturais”. Posso dizer que sofri algumas influências de artistas com quem convivi ou de quem tenho quadros, como Durval Pereira, Djalma Urban, Carnelosso. Mas artistas que muito me inspiram, e com quem muito aprendi, estudando suas técnicas e lições, são os ingleses Constable (1776-1837 ), Edward Seago ( 1910-1974) e os americanos Emile Gruppé (1896-1978) e Kevin Macpherson (1956). Numa abordagem mais contemporânea, trabalho com motivos urbanos como casas, favelas, palafitas etc. Aqui é pura pesquisa, de estilos, técnicas e materiais. Gosto de contrastes de textura, uso fundos lisos, barra de óleo, pastel, aquarela etc. Para mim cada trabalho é uma procura e um achado.

RM: Quais artistas brasileiros você destacaria na atualidade?
Vou falar só de pintores, especialmente paisagistas. Para dizer a verdade, entre os pintores paisagistas brasileiros, os melhores e mais apreciados por mim, já partiram: Pancetti, Mario Zanini, Bonadei, Arcângelo Ianelli (na fase figurativa), Carnelosso, Inimá de Paula, entre outros. Djalma Urban e Durval Pereira, também falecidos, deixaram muitas obras de grande valor artístico, que merecem estar em qualquer coleção. Entre os poucos paisagistas atuais de qualidade, alguns são extremamente conservadores, quase acadêmicos. Para não deixar de citar alguns, pois fogem à regra, e dentro da paisagem, são ou foram bastante originais, lembro Sérgio Telles e Antonio Carelli. Também aprecio a simplicidade e as cores do Fang. Mas não gostaria de me estender sobre esta análise, para evitar injustiças, já que as omissões são muitas. Considero-me um artista iniciante, curioso e tardio. Estou aprendendo…

Para conferir outras obras do artista visite:
Hall Brasil

Arte Atual

Nina Pandolfo

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Nina é de São Paulo. Com um vasto currículo, Nina participou da Graffiti Fine Art no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) em São Paulo (2010) além de várias exposições em São Paulo, Los Angeles, Nova Iorque, Mumbai, entre outras cidades. Em 2007, participou do The Graffiti Project onde realizou a pintura da fachada do castelo de Kelburn, na Escócia junto com outros grandes nomes do grafite como Osgemeos e Nunca.

RM: Resumo sobre você:
Uma pessoa abençoada. Trabalho com algo que é uma paixão.

RM: Você fez o caminho inverso né? Pintava quadros, foi da galeria para a rua… Como foi que aconteceu esse contato com o grafite?
Bom, na época eu era bem nova, era adolescente quando comecei a ter interesse com o graffiti. Não era ainda de nenhuma galeria mas costumava pintar quadros e diferentes suportes que encontrava.
Eu tinha uma idéia, que acho não ter mudado, que as pessoas não tinham o costume de ir em galerias, teatros, shows… Os jovens tinham e ainda tem uma vida cultural pouco viva.
Comecei a ver “pinturas” nas paredes por onde costumava andar e achei que eram pessoas que como eu viam a falta de atividade cultural das pessoas e resolveram levar até a rotina delas esta arte. Eu também fazia teatro de rua. Justamente por este motivo.
Foi então que me interessei. Como também gostava de provar novos suportes como troncos, folhas de arvores, tecido… achei que seria mais um suporte diferente e que além disso poderia interferir na rotina das pessoas.

RM: O que as bonequinhas tão presentes nos seus trabalhos representam?
O universo feminino. o mundo ludico de uma criança… Acho que também coloco um pouco de mim…

RM: Que coisas te influenciam?
O lúdico mundo de uma criança. Os detalhes que elas veem. A delicadeza da mulher. A sensualidade que nós temos. O “tudo é possivel” neste mundo, o nada é feio, nada é do mal…

RM: Você é de São Paulo. Acha que o grafite tem características diferentes em cada lugar?
A cidade tem uma certa influência sobre seus artistas, seja de rua ou não. A vida que se leva em cada cidade vai refletir no resultado de seu trabalho.

RM: Como foi receber o convite para pintar o Kelburn Castle na Escócia junto com osgemeos e Nunca?
Algo inacreditável, só “caiu a ficha” quando cheguei e vi o castelo de frente. Vi a bandeira brasileira hasteada acima da escocesa. Aí sim pude perceber que estava pintando um castelo mais velho que a história do Brasil.
Foi uma experiência cheia de novas influências, tive uma overdose de história. Pude ver uma tradição de 800 anos.

RM: Quais foram os trabalhos mais marcantes para você?
Muitos foram marcantes. Uns pelo resultado, outros pela experiência, outros por sua história. Não me esqueço de nenhum, todos eu tenho uma história legal pra contar. Não sei se sou eu que vou de encontro a estas histórias ou se elas são reais. Mas todos os projetos foram tão importantes pra mim… é dificil selecionar um.

RM: Tenho a impressão que aqui no Brasil o grafite se desenvolveu de uma forma muito legal. Às vezes, vejo trabalhos de outros lugares do mundo e acho que a gente não fica devendo nada… Você que é profissional, já viajou e tudo a trabalho, como vê esse cenário?
Realmente, a cena do graffiti brasileiro tem se destacado. Nosso improviso, nosso “jeitinho brasileiro” ajuda muito nisto. A falta de produtos e informação, que tínhamos no início, fez com que iniciássemos de uma forma totalmente nossa. E isto se reflete até os dias atuais.

RM: Quais os seus artistas preferidos no grafite?
São muitos, mas alguns deles são: osgemeos, nunca, vitche, finok, toes, Barry Mcgee, Blu, Faith47, Stelios Faitakis…

Meeting of Favela

quarta-feira, novembro 17, 2010

No dia 28 de novembro, em Duque de Caxias, acontece a quinta edição do MOF – Meeting of Favela. O evento reune grafite,  música e intervenções e acontece na Vila Operária, a partir das 10h.

Finok

terça-feira, novembro 9, 2010

Finok é de São Paulo, do bairro do Cambuci. O interesse pelo grafite começou quando viu outros meninos grafitando na rua. Hoje o artista é reconhecido: já teve obras suas expostas no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) na Graffiti Fine Art, já personalizou óculos Ray Ban e sandálias Havaianas. O Grafite – e o artista – ganha cada vez mais não só as ruas como as galerias.

RM: Qual foi seu primeiro contato com o grafite?
Eu cresci no bairro do Cambuci, se não o mais, um dos bairros mais clássicos do graffiti em São Paulo, o mesmo bairro de onde surgiram outros grandes artistas como Osgemeos, Nina, Nunca, Ise, Vitche, Coio. Acho que isso tudo me influenciou bastante, fora toda a poluição visual que eu sempre gostava de observar. Tudo isso por volta de 2002, mas comecei mesmo em 2004.

RM: Você desenhava quando era criança? Como foi esse caminho até chegar no grafite?
Sempre gostei muito de desenhar. Acredito que muitas vezes o graffiti é mais ação do que a parte visual, e o despertar pra isso foi um dia quando vi uns meninos fazendo graffiti ilegal em uma parede. Me fiz mil perguntas, mas não achei resposta, procurei a resposta fazendo o mesmo que eles tinham feito.

RM: Que coisas te influenciam? Que outros artistas? Imagino que num trabalho na rua, dá pra fazer um mix de muitas coisas até de outras origens para além do grafite…
Tudo me influencia, a rua, desenhos, pessoas, atos. A princípio eu tive muita influência de artistas do bairro. Hoje em dia minhas influências são outras, não propriamente artistas, mas muitas coisas que eu vejo, na maioria das vezes não relacionadas a parte visual.

RM: O que você espera que as pessoas percebam nos seus trabalhos?
Eu gosto de criar dúvidas e questões na cabeça das pessoas, muitos tipos diferentes de significados, assim como eu tive na primeira vez que eu vi pessoas pintando na rua. Gosto que tenham muitos tipos diferentes de significados vendo uma obra minha, e tenham muitas questões, até mesmo quando é um trabalho feito na rua para ser “lido”.

RM: Como foi o convite pra ter seus desenhos na Havaianas?
Foi bem legal, porque o conceito das Havaianas tem muito a ver com o que pinto muitas vezes, e mais ainda com o povo brasileiro, um povo feliz.

RM: Pra quem se interessa por grafite, quais são suas dicas? Hoje em dia existem até cursos, né? Quais são os seus conselhos?

Meu conselho é: vá para a rua, o maior professor que existe é a rua.

RM: Que outros artistas você indica pra gente?
Tem muitos artistas bons, Nina Pandolfo, Nunca, Osgemeos, mas eu indicaria hoje o Toes, que começou fazendo graffiti comigo, e hoje está produzindo coisas muito boas também.