Rebecca Albino

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Carioca, não teve a fase dos piercings e não tem tattoo. Como estudante de Comunicação, ficou hesitante se seria jornalista ou publicitária, aí resolveu estudar o equivalente ao Cinema, mas acabou se decidindo por Publicidade — e, olha, já está por um triz da formatura! Escreve desde que a professora da sétima série lhe apontou talento e a encorajou a tal. Como não fala pouco, reter palavras para expressar muito é um exercício, uma distração e, sem querer rimar, uma grande paixão. Não é de favoritar, mas dentre aqueles que sempre acompanha na literatura, estão Bukowski, Fante, Lispector, Fernando Pessoa (e companhia), Bishop e por aí vai.

06

Não amo, não vivo
Perambulo –
no meu silêncio, articulo
essa relação de arquivo.

Não desprezo,
tampouco preservo,
prefiro esquecer
– deixar engavetado,
que uma hora vira passado.

Uma hora a gaveta cospe papel
o pensamento é realmente,
totalmente, infiel;
e tudo vira Torre de Babel.

Mas (e mais) vale a aventura
ainda que cruel, incerta
e expressa por quem não te interessa
a aguardar, na esquina,
por essa vida, que termina.

O poeta é um fingidor.

enquanto pecorro esse caminho
estranho e tão só, distinto
me bate saudades de tempos tão recentes
daquela torrente mista de alegria e
loucura
em que era eu tão crente.

absorta em fantasioso mistério
respirando promessas, anseando momentos
tudo ficou para trás, por onde os carros
andam
e por onde acabo de passar, passeando.

ainda que o cheiro e som estejam íntimos
e que o toque ainda me encoste
que o indisfarçável tremor na sua voz
me fascine
ainda é passado — efusivo, delirante.

de ti não peço o amor
quando há o perdão e adeus
peço que não fiques triste com minha
ausência
que mais triste que amor não
correspondido
é amor escondido — eclipsado,
jamais alcançado.

No meio do bloco…

E que dentre todas aquelas faces,
Seu rosto procurei.
Não uma, mas centenas de vezes mais.
Se era esperança minha
ou tolice, como queira,
– não sei.
Ao vento me descabelei
e molhei-me a chuva
Sem que uma única palavra tua que pudesse justificar.

Não te culpo;
não por aquilo que não podes controlar.
Lhe culpo pelas traças, pelos copos
sujos vazios e
tudo cheirando a vinho.

Lhe direciono a pouca cautela,
a distração, falta de tato
e uma certa rispidez.

Se não falamos sobre isso
foi porque eu não quis
e você não se opôs –
neste silêncio em que insistem
berrar palavras de insulto,
você sempre se fez entender
enquanto eu fiz questão
de tentar esquecer.

O quão em vão, é desnecessário dizer.
Ainda lembro de minhas tremedeiras
teu tão teu jeito
seu suor criando piscinas em minhas unhas
o frenesi que nos achávamos
emitindo sons, que vibravam.

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