Goteira Poética

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Esse telhado nem massa de calafetagem tampouco durepóxi dá jeito, o pinga pinga é de letras.
Espaço para os que escrevem de forma pingada, poesia aqui outra alí, prosa acolá…
Cabe todo mundo e de todo jeito, mão livre sobre papel de pão, máquina de escrever com letra quebrada ou sofisticadíssimos palm tops, não importa.
O telhado pinga e, de caneca em punho, colhemos a chuva. Água fresca, boa de beber, sempre aos pouquinhos, gota a gota, gota a gota, gota a, gota…

Inauguro este espaço com algumas de minhas poesias. São poucas e pingadas, bem no jeito da Goteira.

Palavras Brancas

Folha branca, risco cinza.
Aglomerado de palavras sem rima.
Entram pelos olhos,
Boca, ouvido e poros.
Convulsionam os sentidos
E lentas escorrem pelas narinas.

É o agridoce que lateja na garganta.
Salgado gosto, palavra doce.
Palavras de aglomerado sem rima.
Branco risco na folha cinza.
Convulsiona o dicionário
E adormece a língua.

Expresso (numa noite calma)

Engraçado é se sentir sozinho
No meio dos bom dias e boa tardes.
É tanta gente que não tem ninguém.

Gira sem fim a roda dos dias
E a gente se multiplica na proporção
Da hora que passa.

É difícil achar alguém,
Perder de vista não é fácil:
É óbvio (já sumiram tantos…).

Certo dia num reencontro numa livraria,
A conversa foi ao sabor de um expresso.
Eram tantos livros ao redor que não via nenhum.

Se quisesse escolheria um pra ler
Mas não dá pra ler ali no tempo de um expresso.
Essa conversa foi um livro lido nesse tempo.

Conversa de dois no tempo de anos…
Bom dias, boa tardes e boa noites não dados.
Boa leitura pra ser posta em dia.
No bom dia que a noite é expressa
É o livro de ler calmo.

No dia comum da roda,
É muita gente pra ler.
Muita gente querendo ser lida sem saber ler,
Não dá nem no tempo de anos.

Engraçado mesmo é ver alguém.
Ali, carne, osso e tristezas.
Alegrias por que não?
Dá tempo no tempo de um expresso.

Ao amigo Raony, que já morreu uma vez.

Sonho?

O sonhador acordou
E acordou com seu sonho
Que não dormiria mais,
Pra não correr mais o risco.

Dormiu quarto de século ou mais
E o sonho durou o sono.
Hoje, desperto, toma café,
Pra não correr mais o risco.

Pensa às vezes se o sonho era aquilo,
Ou isso é o que deve chamar sonho.
Pensa sempre no fim da tarde,
Pra não correr mais o risco.

À noite o sonhador deita,
E acorda com o sono
A apenas acordar de manhã,
Pra não correr mais o risco.

Toda manhã o sonhador se arrisca.
Aprende cada dia que o sonho começa
E termina no mesmo ponto.
Todo dia o sonhador vive a vida de um dia.

O sonhador acordou
E acordou com seu sonho
Que viveria mais,
Pra não correr mais o risco
De sonhar que sonha.

Para saber mais, visite o blog do autor.

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